Apoio, ajuda e transformação


Quando engravidei jurei para mim mesma que seria autossuficiente e que depois que a minha filha nascesse faria absolutamente tudo sozinha.

Quando me falavam de rede de apoio, achava desnecessário. Tinha a ideia de que seria uma "Super Mãe" que voltaria a trabalhar rápido, que colocaria a Manu na escolinha sem sofrimento e que além de dar conta da Manu, daria também conta da casa, do trabalho, da vida e da paz mundial.

Assim que ela nasceu vi já na maternidade, que eu entendi errado aquele filme "Não sei como ela consegue". Eu admirei muito a personagem da Sarah Jessica Parker, a via como a "Super Mãe", que fazia tudo sem ajuda e dava conta brilhantemente. Mas a verdade é que ela tinha mesmo uma ótima rede de apoio.

Naquela época, não tinha ideia de que onde tem uma "Super Mãe" que consegue "dar conta de tudo" tem também uma mulher que não tem apoio e que está cansada e sobrecarregada. Vivíamos em comunidades, aldeias e grupos onde apoiávamos uns aos outros. Esta ideia de que cada um tem que ter a sua própria vida e viver de maneira quase que isolada surgiu há pouco tempo e não precisa ser assim.

Eu comecei a me dar conta que sozinha era muito difícil quando troquei a primeira fralda de cocô. A Manu tinha quase um dia de vida, era umas 2 da manhã e eu não tinha ideia do que fazer, meu marido me ajudou.

No terceiro dia de vida foi o banho, não tinha ideia do que fazer mais uma vez. Segurei a cabecinha e o meu marido deu o banho. A comida.... gente é verdade, não dá tempo de cozinhar na maior parte do tempo. Meus sogros e meus pais ajudaram muito nesta parte.

A primeira vez que ela chorou horas sem parar, a mãe de uma amiga veio em casa e ficou com ela. Ela disse: "Vai tomar um banho com calma", foi como se tivesse falado: "Vamos para Paris agora! Eu pago!"

Tínhamos apoio, mas na maior parte do tempo éramos nós dois mesmo. Me deixava desconfortável deixar a Manu 12 horas na escola, mas tinha dias que isso precisava acontecer, assim como, o fato dela quase não ter tido férias escolares.

Hoje, mais do que nunca, admiro e aplaudo as mulheres que não tem apoio e suporte. Me sinto angustiada, apenas de imaginar, como seria exercer a maternidade solo.

Quase um ano se passou até que minha mãe saiu do trabalho, que era no interior, e voltou a morar em São Paulo para ficar mais próxima da gente.

Agora se a Manu fica doente temos apoio, minha mãe fica com ela, nas férias escolares também, quando viajamos a trabalho ela dá uma ajuda necessária, buscando a Manu na escola, brincando com ela, alimentando, trocando, etc... Essa convivência tem sido muito benéfica e prazerosa.

Hoje agradeço por todas as vezes que meus sogros e meus pais ficam com ela e por todo amor que ela recebe dos avós, bisas, tios, tias, madrinhas, padrinhos, primos e de todos os nossos amigos. Reconheço o quanto a presença de todos é importante.

Ainda bem que a maternidade me permitiu ter outra percepção da vida e valorizar o apoio amoroso e acolhedor! Espero que num futuro próximo caminhemos para uma sociedade que seja mais flexível e acolhedora com as mães e que ao invés de tirar oportunidades e realizar julgamentos, dê mais flexibilidade, apoio, suporte, reconhecimento e segurança.

Obrigada à minha mãe pela paciência, por respeitar meu tempo, espaço e crescimento. Acabei me dando conta, que sou uma filha totalmente diferente simplesmente porque me tornei mãe.


Posts Em Destaque
Posts Recentes