Os palpites alheios de nossos dias...


Todo mundo tem uma pessoa palpiteira na vida, no meu caso é uma antiga vizinha da rua de baixo. Todas as vezes que eu encontrei aquela mulher ela tinha alguma crítica destrutiva ou observação infeliz.

Quando estava grávida ela dizia que a Manu tinha que nascer logo porque estava "passando da hora".

Quando ela veio visitar, falou que a neta dela era bem maior e que a Manu era mirradinha (sério).

Quando a Manu começou a andar ela disse que já estava na hora de providenciar outro bebê.

Quando mamava no peito, a Manu era aquela criança que só dormia mamando. Claro que muita gente falava que isso não era certo, que não podia, etc.

Na besteira de tentar atender as demandas externas, num domingo, coloquei a menina no carrinho e fui andar na rua para ver se ela dormia com o balanço.

Passei onde?!? Na frente da casa da abençoada, ela olhou bem para mim e disse: "Nossa! Ela não dorme sozinha? Precisa ficar andando na rua?! Que trabalhão hein!!". Obviamente que ela contou uma história de alguma criança "x" que dormia até de ponta cabeça ao lado de uma bateria de escola de samba.

O tempo passou e esta semana fui no mercado com a Manu. Ela estava super bem humorada, alegre e tranquila #sqn... A adaptação escolar ainda está pegando por aqui.

Assim que entrou no mercado a Manuela começou a pedir todas as coisas que eu NUNCA deixaria ela comer numa terça feira ou quiçá nesta vida.

"Quelo isso (iogurte petit suisse)" "Não, isso tem um monte de açúcar e não é saudável" "Quelo esse (salgadinho)" "Nem pensar" "Quelo suco" "Esse suco não é natural, é cheio de açúcar... quando a gente chegar em casa faz um de melancia" "Quelo isso!! (Muito empolgada por causa de uma Tubaína?!? Oiiii?!?) "Sem chance"

Acabou a paz do mercadinho. Ela se jogou no chão e começou a gritar muito alto e se debater.

Quem apareceu?!? A VIZINHA!! No mesmo corredor, na mesma hora e disposta a ver o desfecho da minha desgraça. Ela simplesmente encostou no freezer de comida congelada e ficou assistindo de camarote.

Comecei a rezar para as Deusas protetoras das mães montessorianas, apegadas, da disciplina positiva e é claro psicólogas!!!

Abaixei, coloquei a cesta com dois sacos de ervilha no chão, olhei nos olhos da Manu e disse bem baixinho e firme: "Filha, eu entendo que você está cansada. Mas nós viemos aqui para comprar cenoura e ervilha e é isso que nós vamos levar, mais nada. Eu vou levantar agora para pegar a cenoura, te espero lá para me ajudar."

Levantei, peguei a cesta e comecei a andar e clamar para que aquela criança levantasse e viesse atrás de mim. Dei um passo, dois passos e no terceiro senti uma mãozinha pegando na minha perna: "Desculpa mamãe, tô mais tranquila agora."

Respirei e dei um abraço nela.

Olhei para trás e falei: "Ahh oi vizinha!! Tudo bem?! Nem te vi aí!!" Como resposta ganhei um simples "Oi", que valeu por mil palavras.

Ser mãe é uma experiência tão desafiadora e ao mesmo tão tranquila, tão irregular e ao mesmo tempo tão linear, tão incerta e ao mesmo tempo tão confortável. Nem dá pra explicar, só dá sentir e confiar! 🙏🏼🍀✨


Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Nenhum tag.
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

© 2016 por Mãe Psicóloga. Orgulhosamente criado com Wix.com

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now