A dolorosa adaptação escolar


Eu sou psicóloga, auxilio mães a lidarem da melhor forma possível com a adaptação escolar. Eu sou mãe e não consigo colocar em palavras o quanto a adaptação escolar tem sido sofrida para nós.

Conheço muitas teorias sobre a adaptação escolar, a grande maioria delas culpa a mãe pelo sofrimento da criança: "ela está sentindo a sua angústia", "a adaptação é para a mãe, porque a criança nem liga", "só chora na sua frente, assim que entra na escola vai brincar", "chora porque sente que você está sofrendo", etc.

Nenhuma dessas afirmações tem validação científica por isso não há comprovação se realmente há conexão entre os fatores. As professoras mais experientes dizem que sim e até alguns profissionais também assinam embaixo. Eu particularmente não saberia dizer, prefiro analisar caso a caso. O que eu digo sem dúvida é que é um período muito sofrido para os pais e para a criança.

Uma vez li um trecho do livro Besame Mucho no Dr Gonzalez que dizia que as crianças não choram o dia todo quando estão na escola simplesmente porque aceitam aquela situação por saberem que é ali que terão que ficar e que não tem outro jeito. No início quando o choro cessa é mais resignação do que adaptação propriamente dita.

Estar em um ambiente desconhecido causa muita estranheza para a criança, que responde com choro e protesto na hora de ir para a escola.

O que está funcionando aqui em casa:

Acolher o sofrimento. A gente procura não falar "filha, não chora" ou "não precisa chorar". Se ela está chorando é porque algo não está bem, por isso respeitamos o que ela está sentindo, abraçando, dando colo, fazendo carinho e ouvindo o que ela tem para dizer.

Explicamos o passo a passo e tentamos fazer com que ela não pule etapas e fique menos ansiosa. Quando antes de dormir ela fala que não quer ir para a escola, a gente explica que ela não vai naquele momento mesmo, que antes a gente vai contar histórias, dormir, aí vamos acordar, fazer o café, trocar de roupa para depois ir para a escola. Ela costuma chorar menos ou as vezes nem chora.

Fazemos algumas concessões para ter menos conflitos desnecessários. Esses dias ela quis ir para a escola com a blusa do pijama, por baixo da camiseta do uniforme, deixamos.

Damos muita atenção e ouvimos o que ela tem a dizer. Quando ela sai da escola o tempo é dela, a gente conversa, faz comida, sai para procurar gato na rua, assiste desenho e hoje até plantamos salsinha e cebolinha num vaso.

Tomamos muito cuidado em NUNCA dizer para ela parar de chorar porque a "mamãe ou o papai vão ficar chateados". O ideal é evitar este tipo de afirmação, não queremos que ela cresça achando que alguém é capaz de causar sofrimento ou alegria para alguém a não ser nós mesmos. Uma mesma situação pode ser ótima ou horrível tudo vai depender de como EU estou no momento. Li no livro Comunicação Não Violenta um exemplo que explica de forma relativamente simples: Era um homem que tinha uma reunião e a pessoa com a qual ele se reuniria atrasava 1 hora. No cenário 1 ele ficava muito feliz porque tinha muitas coisas para resolver no computador e aproveitava o tempo para fazer isso. No cenário 2 ele ficava muito bravo porque tinha mil compromissos e achava aquilo um desrespeito. A pessoa que atrasou foi mesmo responsável pelas respostas do homem ou as respostas aconteceram de acordo com a maneira como ele vivenciou cada situação? O objetivo é que a Manu, entendendo isso, talvez se torne uma pessoa mais segura, menos culpada e dependente de aprovação externa, mais responsável pelas suas escolhas e pelas consequências geradas por elas.

Esta foi a primeira semana. Não foi fácil. Vamos passo a passo vivendo um dia de cada vez. Amanhã é sábado e não tem escola! Agora é respirar e tomar fôlego para a próxima semana.

Boa Sorte para todos nós!

*Na foto, Manu está indo para a escola com o pai.

Sou a Damiana, mãe da Manu e psicóloga.


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