Repetindo, aprendendo, esperando, amando, vivendo... Um dia de cada vez.


A Manu ganhou um brinquedo que é uma espécie de um mini tanque de areia em que a areia tem a textura de uma massinha. Estávamos brincando e chegou uma hora que ela era pura areia, pêlo e baba da Philipinha (nossa cachorra), dentro da minha cabeça resolvi que era hora dela tomar banho.

Simplesmente guardei o brinquedo e peguei ela no colo para levar para o chuveiro. Em nenhum momento expliquei o que ia acontecer e nem dei um tempo de adaptação... Iniciei uma guerra na minha casa!

Ela gritou, chorou, se jogou no chão, tentou me bater, me morder e se debateu por cerca de meia hora sem parar.

Ela estava fazendo birra? Ela estava sendo mal educada? Ela estava assim por conta dos terrible two?

Quando ela se acalmou eu a abracei (desta vez ela aceitou o abraço) e falei que ela estava nervosa, provavelmente porque estava com sono.

No alto de seus dois anos Manu me responde: "Não, tô chateada com a mamãe porque ela me tirou da massinha antes de terminar meu bolo."

Foi aí que me dei conta que qualquer rótulo que eu colocasse nela naquele momento seria injusto. Ela não estava chatinha, brava, terrível, birrenta, fazendo papelão, "deixando a mamãe chateada" e mais um milhão de coisas negativas que não levam nada a lugar nenhum.

Não!! Nada disso. Ela só estava respondendo a uma invasão e a um desrespeito dentro das possibilidades de uma criança de dois anos.

Sabe como eu sei?! Porque eu me coloquei no lugar dela.

Fiquei imaginando se eu estivesse no computador fazendo algum trabalho muito importante e aí uma pessoa chegasse, tirasse o computador da minha mão, desligasse, me pegasse contra a minha vontade e me colocasse no banho. Nossa, só de pensar já dá raiva.

Provavelmente eu responderia falando, expondo meu ponto de vista e argumentando. A minha filha ainda não consegue fazer isso, então ela responde da maneira que é possível nesta fase... gritando, chorando e se jogando no chão.

Cresci numa sociedade que prega que criança não tem opinião que os pais não podem "dar mole", afinal as crianças são "manipuladoras". Que a gente tem que ignorar quando as crianças "fazem birra" e que não tem que conversar tanto, afinal, em criança o que funciona mesmo é "dar uns tapas" para que "aprendam".

Não vou gastar nenhuma linha explicando porque cada afirmação acima é descabida e o quanto atitudes assim geram crianças inseguras e amedrontadas. Só vou dizer para, ao invés da palavra "criança", você finja que está escrito "você". Não sei "você" mas eu fico bem incomodada.

É importante ressaltar que respeito à criança é diferente de permissividade. Respeito pode vir com limites e muito amor.

O que vem funcionando para nós:

Explicar e fazer uma espécie de passo a passo: "Agora o papai vai te tirar do banho, desligar o chuveiro, secar você e te trocar... combinado?" Hoje em dia ela mesma fala a ordem das coisas quando o banho acaba.

Perguntar e ouvir dela porque não está atendendo a algum pedido nosso. As vezes vem umas respostas fofas tipo: "Mamãe, não fui ainda escovar o dente porque estou dando Mamá pro bebezão (a boneca que ela mais ama).

Deixar que ela fale o que sente.

Se erramos pedimos desculpas.

Se é algo que me machuca como um tapa eu deixo claro para ela que dói. Repito e explico sempre, que aqui em casa a gente não bate e sim conversa e que bater é um desrespeito que nós devemos fazer aos outros apenas o que gostaríamos que fizessem com a gente.

Se ela entende?!? Ela tem um boneco que tem uma cabeça de plástico que é meio dura, outro dia ela foi deitar na cama e bateu a cabeça na cabeça dele. "Matheus não pode bater, a gente conversa aqui tá bom!?! Bater dói!"

Se ela entende sempre?!? Outro dia eu estava fazendo o maior discurso e ela mexendo nas panelinhas. Quando terminei perguntei: "Entendeu filha?" Ela responde: "Cuidado que a sua sopa está quente".

Me deu uma panelinha, tomamos sopa e seguimos... Repetindo, aprendendo, esperando, amando, vivendo... Um dia de cada vez.

*Na foto a gente brincando de tatuagem de adesivo.


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