Só mais uma colher!!



Participei de um curso sobre a visão de grupos na Abordagem Centrada na Pessoa (a linha que eu atuo dentro da Psicologia Humanista). Durante o encontro começamos a discutir porque é tão complicado quando o psicólogo sugere ao cliente que caminho tomar, afinal, quando eu acredito que sei mais sobre a pessoa do que ela mesma, posso misturar a minha história com a dela e acabar impondo as minhas crenças e não respeitar tempo dela e suas escolhas.


Para ficar mais claro, o professor deu um exemplo, pediu que a gente imaginasse uma brincadeira em que cada um fosse até um restaurante e montasse o prato da outra pessoa, por mais que todos tivessem a melhor das intenções aquele prato nunca ficaria tão bom, como ficaria se fosse feito, pensado e produzido pela própria pessoa que o comeria.


Ouvi essa semana um depoimento que dizia: "meus pais montavam o meu prato, e eu tinha que comer aquela quantidade absurda de comida, se não comesse, não podia levantar da mesa. As vezes ficava 3 horas lá sentada. Quando eu olhava para aquilo já sabia que nunca ia conseguir comer aquele tanto de comida, então fui criando formas para me livrar da refeição... cuspia no guardando, dava pro cachorro, escondia, ia até o banheiro e jogava na privada... ou seja, forçar não adiantou nada para mim".

Ouço relatos de pais que dizem forçar os filhos a comer, fazem isso porque acreditam que as crianças não teriam discernimento para saber se estão ou não com fome. Na maioria das vezes, seguido deste relato, vem a informação de que esta postura causa uma "guerra" na hora das refeições. Uma guerra remete, para mim, algo negativo e penso que se há uma vivência diária de estresse, ansiedade e angustia trazendo a sensação de um clima de "guerra", talvez possa ser bom repensar a dinâmica das refeições.


É necessário respeitar as escolhas de cada um e se faz sentido para a família e não causa sofrimento para ninguém, que seja sempre desta forma! Mas por outro lado, se causa sofrimento para alguém ou para todos pode caber repensar.

Quantas vezes dizemos: "Só mais uma colher vai?!".... Segundo o Dr Carlos Gonzalez, quando fazemos isso, ensinamos às crianças que elas não sabem reconhecer quando estão saciadas, ou seja, elas precisam que uma outra pessoa fale isso à elas. Aí acredito que caiba uma reflexão sobre os índices alarmantes de obesidade infantil que acometem nossa sociedade. A pessoa não sabe a hora de parar de comer, porque acredita não saber o quanto é suficiente. Foi ensinada que não é capaz de discernir os sinais do corpo.

Então o que fazer?! Deixar nossos filhos com fome?!!

O Dr Gonzalez diz que é importante oferecer o que a criança tem vontade, na quantidade que ela quiser. Ele diz ainda, que se os pais não querem oferecer biscoitos, refrigerantes ou doces então eles não devem ter este tipo de alimento em casa.

Nossos pais fizeram tudo errado?!? Nós fazemos tudo errado?!

Não acredito nisso, acho honestamente, que todos fazemos o melhor que podemos e o que cremos ser o melhor para os nossos filhos.

Entendo que este tipo de reflexão nos ajuda a repensar e reconhecer a existência da criança na relação.

A criança existe, está lá e precisa ser ouvida, afinal, não são só os psicólogos que não tem o poder de saber melhor do outro do que ele mesmo, nós pais também não temos este poder. Nossos filhos tem muito a dizer, cabe a nós fazer um esforço para escutar.

ESTAR com a criança, DAR limites, SER acolhedor e amoroso e SE PERMITIR quebrar paradigmas pode ser um começo... Vamos juntos?!

Damiana Angrimani Bonavigo é mãe da Manuela e psicóloga.

#alimentação #introduçãoalimentar #limites #repensar #obesidade

Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Nenhum tag.
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square